Se os professores não se importam,
quem se importará?
Gostaria de aproveitar os comentários feitos pela professora Glaura, sobre a palestra Políticas Públicas Educacionais, e dar uma sugestão. Mas antes de apresentar a minha sugestão peço licença aos leitores para me posicionar sobre a formação de professores.
Discutir sobre as políticas públicas educacionais nem sempre é atrativo para professores e alunos. Sou professora na Formação Comum, dos cursos de licenciaturas, e percebo esse desinteresse na maioria dos alunos. Vivo lutando para despertar nos alunos esse interesse, mas reconheço que em um país, com tão pouca experiência e vivência democrática como o nosso, essa luta é explicavelmente árdua.
Entretanto, seria de suma importância que alunos de licenciatura e professores em geral se interessassem em conhecer as políticas e discutir sobre elas. E, mais ainda, seria muito importante que se posicionassem sobre elas. Reconheço que há uma lacuna na formação do professor em relação a esse tema. E essa lacuna fica, na maioria das vezes, sem ser preenchida durante toda a vida profissional do professor.
Do meu ponto de vista (não sei se os leitores irão concordar comigo) isso acarreta sérios problemas para os profissionais da educação. Um professor que, durante a sua formação, não foi educado para participar das decisões sobre sua profissão dificilmente o fará depois de formado.
Em geral, os professores ficam alheios às políticas públicas educacionais, como se não tivessem nada a ver com isso. Talvez, aí, esteja o "nó" da questão, ou seja, o espaço fica livre para o autoritarismo. Se os professores não se importam, quem se importará?
Vivemos em um país que se diz democrático, mas democracia não se faz apenas no dia das eleições. Para que vivenciemos a democracia de fato é necessário que exerçamos nossos direitos e deveres e isso requer consciência crítica. Mas para ter essa consciência é preciso conhecer, dialogar, reclamar, sugerir, enfim, se posicionar sobre assuntos que nos diz respeito.
Quem melhor do que professores e futuros professores para discutir sobre políticas educacionais? É claro que toda a sociedade está convidada a participar desse tipo de discussão, mas se os próprios professores não se interessarem, penso que fica mais difícil que o restante da sociedade se interesse.
A grande questão colocada pela profesora Me Giovanna, em palestra proferida em 20 de novembro de 2006, foi a falta de definição de uma identidade para o Pedagogo, nas Diretrizes Curriculares para os cursos de Pedagogia. Problema, aliás, antigo, que as novas diretrizes não resolveu.
Penso que espaços de discussão sobre esse e outros temas pertinentes à Educação, como a aprovação do FUNDEB, a Reforma Universitária e outros, deveriam ser criados para que professores e alunos pudessem se inteirar mais desses assuntos, discutindo, criticando, sugerindo...Enfim, penso que precisamos educar na cidadania e não para a cidadania.
Aprendemos a ser, sendo, vivendo, experiemtando e não falando sobre como devemos ser no futuro.
Então fica aí minha sugestão:
O que vocês acham de criarmos um espaço permanente de discussão sobre as políticas públicas educacaionais, mesmo que seja virtual (aliás, melhor ainda se for), para que, a partir dessas discussões, possamos participar efetivamente da elaboração de políticas públicas educacionais mais condizentes com as necessidades reais da educação?
Poderíamos publicar sínteses de nossas discussões, poderíamos enviá-las para o CNE, enfim, poderíamos participar, mostrar a "nossa cara" .
O que vocês acham?
Fica aí a sugestão!!!
Profa. Iolanda R Nunes